Página Inicial da Eletronorte Eletronorte
» Página Inicial » Fale Conosco » Mapa do Site

Pesquise na Eletronorte:

busca avançada



Chamada Pública - Inscrição para Negócios de Geração e Transmissão Transparência Pública Transparência Pública Acesso à Informação da Eletronorte Lei de Conflito de Interesses Prestação de Contas

Usinas-plataforma: aposta no baixo impacto

7 de Maio de 2010; Canal Energia

Empreendimentos na Amazônia iniciarão novo conceito de implantação, com maior preservação ambiental ao evitar formação de comunidades no entorno de hidrelétricas
 
Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, Reportagem Especial

O leilão de Belo Monte (PA, 11.233 MW) foi turbulento: três liminares, adiamento de datas, consórcios formados com muita negociação, incertezas quanto à rentabilidade do projeto, entre outros fatos. Ou seja, reflexo do que representou a implantação do projeto - que levou 31 anos entre o anúncio da construção, quando era chamada de Kararaô, e a negociação da outorga. As questões ambientais, indígenas e fundiárias permearam os debates, que prosseguiram mesmo com o vencedor da disputa sendo conhecido. Tão rumorosos quanto o leilão de Belo Monte foram os das usinas do complexo hidrelétrico do Rio Madeira (RO, 6.600 MW), que foram os primeiros estruturantes da nova safra de usinas na Amazônia e que foram responsáveis pela movimentação da economia da região, mas com muitas intervenções judiciais e protestos.

Passado o leilão daquelas megausinas, o governo já tem alguns empreendimentos em fase de estudos ambientais, para serem licitados já a partir deste ano - como as usinas do Parnaíba, no Nordeste, e Teles Pires, nos dois leilões A-5 previstos para este ano (veja tabela completa abaixo). Mas o governo já trabalha para viabilizar uma série de usinas na Amazônia que são consideradas como os melhores projetos pós-Belo Monte, como as do Complexo Hidrelétrico do Rio Tapajós. Juntas, elas somam 10.682 MW de capacidade instalada. A primeira delas, São Luiz do Tapajós (PA, 6.133 MW) tem prevista licitação para 2011 e entrada em operação em 2016, segundo dados do Plano Decenal de Expansão da Energia 2010-2019, divulgado recentemente pela Empresa de Pesquisa Energética.

 

Em setembro de 2009, a reportagem especial Hidrelétricas: Rumo à Amazônia, (para acessá-la, clique aqui), mostrou que a busca dos aproveitamentos hidrelétricos ainda não explorados, estimados em 70% do potencial hidrelétrico total brasileiro, se daria em grande parte rumo ao Norte do país. Para evitar ou minimizar, porém, os impactos da implantação de uma hidrelétrica na região - e todo o debate associado a este tipo de projeto - o governo decidiu apostar num novo modelo de construção desses empreendimentos, mesmo tendo o país uma área total de reservatórios inferior a 40 mil quilômetros quadrados.

O formato de usinas plataforma, modelo em que a hidrelétrica é implantada nos moldes de uma plataforma de petróleo offshore, foi anunciado no ano passado pelo presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, e pelo ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann - então secretário executivo do MME. Zimmermann conta que o conceito surgiu entre 2004 e 2005, durante o processo de retomada do planejamento do setor elétrico, ainda na reestruturação setorial que se encontrava em curso. "Lá no mar não tem como nascer cidade em volta", afirma o ministro.

Luiz Fernando Rufato, superintendente de Expansão da Geração da Eletronorte, acrescenta que o debate teve participação do então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e destaca que os empreendimentos estão localizados dentro de unidades de conservação, que totalizam 200 mil quilômetros quadrados de área. "De um lado do rio [Tapajós] tem o Parque Nacional da Amazônia; de outro temos Floresta de Itaituba I, Floresta de Itaituba II, Floresta do Jamanxin, entre outros", lista Rufato.

Segundo Zimmermann, ao se constatar que o potencial hidrelétrico não utilizado encontrava-se na Amazônia, percebeu-se a existência de um desafio, já que o formato tradicional de obra de hidrelétrica traria impactos elevados naquele momento, com a formação de novas cidades na região dos empreendimentos. "O formato de usina-plataforma é ideal para áreas não antropizadas", explica o ministro. "É um desmatamento cirúrgico, o corte será feito exatamente onde será feita a usina", afirma Rufato.

Conceito ideal para áreas não antropizadas

Marcio Zimmermann, do MME

O ministro Zimmermann lembra que esse conceito de usina é novo no país e no mundo, embora o presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia, Mario Menel, ressalte que esse formato, no Canadá, por exemplo, é empregado há pelo menos 30 anos. Ele avalia que perante uma usina convencional, o licenciamento tende a ser mais fácil, já que haveria redução radical do desmatamento e eventuais estradas que venham a ser abertas para a usina teriam acesso controlado pelo empreendedor, com a instalação de portões, por exemplo. A medida evitaria o que acontece em usinas tradicionais, que assistem à formação de vilarejos e comunidades no entorno da usina, às margens das estradas de acesso, aumentando ainda mais e perenizando o impacto ambiental na região, o que se torna uma barreira para a instalação de hidrelétricas na região.

Zimmermann afirma que um dos pontos que causam mais resistência à construção de novos empreendimentos é exatamente o risco de antropização de regiões de mata nativa. Por isso, a saída foi delimitar a área da usina. O modelo ganha mais espaço considerando que essas usinas serão a fio d'água, como os últimos empreendimentos, com pequena área de alagamento. "Tapajós, por exemplo, sem usar esse conceito, jamais se conseguiria uma licença ambiental em qualquer um dos aproveitamentos", completa. "A ideia é tentar evitar ao máximo a criação de cidades, a circulação de pessoas, de maneira que não haja a destruição do ecossistema ao redor da usina, que seja o mais preservado possível. É uma usina cercada de floresta por todos os lados", continua o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim. "Nós não poderíamos levar para uma unidade de conservação um grande desmatamento, cidades. O que acaba com a floresta são as estradas", recorda Rufato, da Eletronorte.

Desmatamento cirúrgico na floresta

Luiz Fernando Rufato, da Eletronorte

Para Tolmasquim, a usina-plataforma terá mais facilidade [de obter licenças ambientais], devido à recomposição mais rápida do meio ambiente", disse o executivo. Mario Menel, da Abiape, e Marcio Zimmermann avaliam que o menor nível de impactos em relação a uma usina convencional será percebido após a entrada em operação comercial dos empreendimentos, com a desmontagem dos canteiros, o fechamento de acessos que eventualmente venham a ser construídas, como em parques nacionais, e o próprio funcionamento da usina, que terá apenas as equipes de operação e manutenção.

"No local da usina poderá haver apenas um local para troca de turno dos profissionais que operam a usina. E as equipes de manutenção e operação são pequenas, porque o controle dos equipamentos de proteção e comando é feito remotamente", ressalta Rufato. Como exemplo, o superintendente da Eletronorte aponta a usina de Coruauna, em Santarém (PA), que será controlada por meio do centro de controle de Tucuruí. Na visão de Luiz Fernando Leone Vianna,  presidente do conselho de administração da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica e do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, após a entrada em operação do empreendimento, a inexistência de vilas residenciais propiciará maior facilidade a operação da usina. Ele pondera que não haverá necessidade de administrar a infraestrutura que esse tipo de instalação demanda, como escolas, áreas e equipamentos de lazer - com seus conseqüentes custos. Além disso, o executivo prevê um menor impacto social das equipes encarregadas da operação e manutenção da usina. "Eles poderão residir em centros urbanos adequados, sem necessidade de propiciar a si próprios e a suas famílias a segregação que uma vila residencial ocasiona", ressalta.

No Ministério do Meio Ambiente, o conceito aparenta encontrar apoio. Em sua posse, a ministra Izabella Teixeira afirmou que esse tipo de conceito está sendo analisado "com bons olhos". Zimmermann avalia que esse conceito deve facilitar a concessão das licenças ambientais. Ele conta que o trabalho junto ao MMA ainda é conceitual e que as ações a serem feitas está no campo da regulamentação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que permitirá a continuidade dos estudos ambientais.

Na mesma linha, Vianna, da Apine, avalia que o conceito de usinas-plataforma "favorece e muito o licenciamento ambiental", seja pelo Ibama, seja pelos órgãos licenciadores ambientais estaduais. O executivo acredita que a emissão das licenças será naturalmente agilizada, já que não há necessidade de garantia específica dos órgãos licenciadores. "Os EIA/Rimas serão simplificados e consequentemente a análise pelos órgãos ambientais também", destaca Vianna, para quem a tendência é de haver redução no prazo de implantação da usina, considerando o tempo que será necessário para a instalação dos canteiros.

Nessa linha, o ministro Zimmermann acredita que as entidades ambientais que vem sistematicamente se posicionando contra a construção de hidrelétricas poderão mudar de opinião caso analisem as usinas com foco mais técnico e menos ideológico. "Eu acho que a usina-plataforma é uma condição sine qua non para ser aprovada. Nunca iriam deixar uma hidrelétrica num parque nacional, onde se levaria todo mundo para acabar com o parque", afirma Rufato. Nem todos, porém veem facilidade na implementação desse tipo de usina. Para o presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, a proposta não é realista. "É para enganar ambientalista. Não dá para fazer, é um sonho de uma noite de verão", avalia Pires.

Mas na avaliação do presidente do conselho de administração da Apine, será difícil prever uma redução da oposição de entidades aos projetos, pois algumas entidades não adotam a lógica e a boa técnica para apresentar o posicionamento delas. "Felizmente existem várias exceções", afirma. Vianna reitera que o impacto ambiental deverá ser menor, o que por si só deve diminuir as críticas a esses empreendimentos. "Se considerarmos também que os posicionamentos contra a construção de usinas hidrelétricas contemplam, em grande parte, o lado "social" dos empreendimentos, a redução da área impactada, e consequente redução da população afetada, devem também contribuir para a redução das críticas dessas entidades ambientalistas", estima.

Usina cercada de floresta por todos os lados

Mauricio Tolmasquim, da EPE

Neste ano, esse tipo de usina deixou de ser apenas um conceito, ao figurar na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), lançado no final de março. Segundo o PAC 2, está prevista a implantação de 10 usinas-plataforma, que totalizam 14.991 MW, e têm previsão de investimento da ordem de R$ 116,2 bilhões. Dos dez empreendimentos, cinco já possuem processo de licenciamento iniciado no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, segundo consulta feita pela reportagem da Agência CanalEnergia ao Sislic - Sistema de Licenciamento Ambiental Federal - por sinal, as usinas do Complexo do Tapajós. A ideia é que a área total dos reservatórios desses empreendimentos seja de cerca de 2 mil quilômetros quadrados - para efeitos de comparação, Belo Monte, em seu projeto original, teria um reservatório de 1,5 mil quilômetros quadrados - a atual configuração prevê uma área alagada de 516 quilômetros quadrados.

A bacia do Rio Tapajós já foi estudada anteriormente, entre 1986 e 1991, quando foram feitos os primeiros levantamentos, mas foi retomada em meados da década com a retomada dos processos de planejamento. A maior das cinco usinas com registro no Ibama é São Luiz do Tapajós, cujo registro foi pedido pela Eletronorte. Os estudos de inventário da bacia do Tapajós foram realizados pela estatal, em conjunto com a Camargo Corrêa e CNEC Engenharia. A hidrelétrica  está localizada no município de Itaiutaba, tem garantia física de 3.369 MWmed e, como nos últimos empreendimentos hidrelétricos, é a fio d'água.

Os primeiros dados do empreendimento indicam o uso de 33 turbinas tipo Kaplan, numa barragem de 3.483 metros de comprimento e 39 metros de altura. A usina vai operar no rio Tapajós, navegável em praticamente toda a extensão - com passagem em alguns trechos possível apenas por meio de voadeiras ou rabetas - tem área de reservatório prevista de 722,25 quilômetros quadrados, cota máxima de operação de 50 metros. A previsão é de instalação de 17 comportas, 19,6 metros de largura e 20 metros de altura no vertedouro. Os dados não apresentam informações sobre impacto em áreas indígenas ou de quilombolas.

A montante de São Luiz do Tapajós encontra-se a UHE Jatobá, com previsão de potência total de 2.338 MW e energia firme de 1.282 MWmed. Igualmente a fio d'água, o projeto prevê a geração por meio de 40 turbinas bulbo, em barragem com 1.287 metros e 35,5 metros de comprimento. Segundo o processo do Sislic, a usina terá área de reservatório de 646,3 quilômetros quadrados, cota máxima de operação de 66 metros, vertedouro de 40 metros, com 14 comportas do tipo segmento, com largura de 18,9 metros e 20 metros de altura. As outas três usinas com licenciamento em andamento no Ibama são Jamanxin, Cachoeira do Caí e Cachoeira dos Patos (veja dados das cinco usinas na tabela abaixo). 



Já segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, os cinco empreendimentos restantes ainda não concluíram os estudos de viabilidade: Água Limpa (MT, 320 MW), com estudos ainda não iniciados, de responsabilidade da Enercamp, Energética-Tech, Furnas, Alstom, Andrade Gutierrez e Eletronorte; Chacorão (PA, 3.336 MW) e Jardim do Ouro (PA, 227 MW), que possuem inventário aprovado, mas sem pedidos de registro - realizados pela Eletronorte e Camargo Corrêa; Tabajara, (RO, 350 MW), elaborado por Eletronorte, Queiroz Galvão e Furnas, e Toricoejo (MT, 76 MW), realizado pela Eletronorte, Alupar, Dreen Brasil e Furnas - estes dois últimos com estudos de viabilidade em andamento.

A Eletronorte está realizando, de acordo com Rufato, os estudos de viabilidade de São Luiz do Tapajós e Jatobá, além de outros três aproveitamentos no rio Jamanxim, com participação da EDF e da própria Eletrobras, além da Camargo Corrêa, segundo Rufato, como parte de um acordo firmado entre as empresas em 2009. Rufato conta que não pediu ainda registro na Agência Nacional de Energia Elétrica para realizar os estudos de viabilidade da hidrelétrica do Chacorão, pois inunda parte de terras indígenas das tribos dos Mundurucus e dos Sai-Cinza. "Nós ainda não temos como efetivar empreendimentos em terras indígenas, ainda depende de decretos para regulamentação da Constituição", explica.

Jardim do Ouro, conta Rufato, da Eletronorte, é a última usina, na cabeceira do rio Jamanxim, e não teve início dos estudos porque não está entre os melhores aproveitamentos apontados pelos estudos de inventário. "Quando se faz estudo de inventário, são detectados os melhores aproveitamentos. Então, os melhores saem primeiro, pois custam menos. Depois, com o tempo, as outras vão se tornando viáveis. O Jardim do Ouro, por ser na cabeceira do rio, custa mais", explica Rufato. Já Tabajara, destaca, os estudos estão em andamento, mas o aproveitamento fica localizado próximo a uma reserva biológica, perto de Machadinho do Oeste.

Estimativa da Eletronorte indica que a geração do complexo do Tapajós vai significar uma economia anual de R$ 9 bilhões com a queima de 30,5 milhões de barris de petróleo - ou seja, menos gastos com combustível e menos emissões de gases de efeito estufa. Menel, da Abiape, afirma que a associação apoia a medida e defende que ela seja adotada junto com a proposta de reserva hídrica - que estabelece aproveitamentos identificados como potenciais para a geração hidrelétrica como de uso estratégico, o que impede ações ou instalações no local ou entorno deste mesmo aproveitamento. 

Com relação à atratividade, Menel, da Abiape, considera que o projeto tem uma vantagem em relação a uma hidrelétrica convencional com uma possível redução do risco ambiental. A questão logística será administrável, na visão dele, pois o transporte será feito pelas estradas do entorno e pelos rios. Zimmermann ressalta que não há impedimento para a abertura de vicinais, mas observa que Belo Monte terá como saída logística o próprio rio - permitindo o transporte de equipamentos por meio de balsas. "A ideia de se transportar tudo de helicóptero é apenas simbólica", acrescenta Rufato, que lembra da existência de uma estrada dentro do Parque Nacional da Amazônia, vigiada e com controle de acesso. 

"Além disso, os canteiros e alojamentos podem ser montados junto da obra. Eles só serão desmontados depois, não tem nada que impeça fazer um canteiro, uma vila na usina. Isso não é sobrecusto, só não haverá a continuidade da vila", acrescenta o ministro. A logística, analisa Vianna, da Apine, será "a questão crucial", ao basicamente ser feita por via aérea e fluvial. Vianna observa também que o Brasil encontra-se em ritmo acelerado de crescimento, especialmente no setor elétrico. Nesse caso, não haveria, portanto, espaço para se considerar a capacidade ociosa desses equipamentos de transporte, acreditamos entretanto, que o mercado irá se adaptar rapidamente a essas necessidades.

Usinas-plataforma junto com reserva hídrica

Mario Menel, da Abiape

Já o custo de implantação, projeta Menel, tende a ser maior com a necessidade de maior locação de equipamentos e veículos para transporte dos funcionários - cuja estimativa é de se chegar a 100 mil pessoas nas obras, entre empregados diretos e indiretos. Do mesmo modo, Tolmasquim, da EPE, visualiza uma expansão dos custos das usinas-plataforma.

"Sem dúvida a usina-plataforma é mais custosa, porque teremos uma infraestrutura maior para operação. E mesmo para construir demandará cuidados maiores, pois são áreas de preservação. A ideia é fazer com todo o cuidado, é claro, que custa mais, mas compensa mesmo com esse sobrecusto porque a energia hidrelétrica é a mais barata. Ela ainda fica competitiva", explica Tolmasquim. Já Rufato salienta que haverá economia com a menor área desmatada, porém a maior logística deverá implicar em mais despesas. "Tem economia, mas também tem maior custo por colocar as equipes mais longe do projeto. Só o fato de se preservar uma área que já está preservada, vale a pena qualquer custo", destaca Rufato, da Eletronorte.

Para Vianna, da Apine, o investimento será naturalmente menor, devido à significativa redução e simplificação na implantação da infraestrutura do empreendimento (estradas, vila residencial, escolas, áreas e equipamentos de lazer). "Por outro lado, o custeio será  maior, devido basicamente ao fator transporte. Acreditamos que, no cômputo total haverá economia", diz o executivo.

Logística será questão crucial

Luiz Fernando Vianna, da Apine e do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico

Esse sobrecusto, porém, ainda não pode ser medido por conta da realização dos estudos que estão sendo conduzidos pela Eletrobras, segundo Tolmasquim. Por outro lado, Zimmermann não vê possibilidade de aumento de custos, já que independente do conceito, uma hidrelétrica na Amazônia já é de difícil acesso. Para a transmissão, eventuais impasses poderiam ser equacionados com a adoção de torres mais elevadas do que as tradicionais, sem necessidade de abertura de largas faixas de servidão. Rufato comenta ainda a possibilidade de se gerar recursos financeiros, com a compensação financeira a que as hidrelétricas estão obrigadas a pagar, que resultem em projetos ambientais nos parques nacionais.

"São Luiz do Tapajós ficará do lado de um parque nacional. Na compensação ambiental, por conta de se fazer a usina lá, pode-se gerar recursos que podem fazer do parque nacional da Amazônia um modelo para o país e para o mundo, com centro de visitação, brigada de incêndio bem colocada, com trilhas etc. Tudo isso sendo estudado pelo Ibama", salienta.

Diante desses fatores, Menel revela que os autoprodutores já estão de olho nesses projetos. Segundo Menel, os autoprodutores consideram atrativa a energia competitiva, como a hídrica, capaz de permitir redução dos custos de produção nos respectivos processos. "Há o exame de todos os aproveitamentos hídricos. Queremos uma fonte com valor da energia considerado estável, para longo prazo, com os custos travados no início do planejamento", disse.

 

Rio Tapajós, onde será construído complexo de 10.682 MW (Arquivo Eletronorte)

Pelas contas da Eletrobras, a energia que deve ser gerada pelo complexo do Tapajós seria capaz de abastecer duas cidades do tamanho de São Paulo ou três cidades como o Rio de Janeiro. Com a crescente pressão pela necessidade de energia - adição de mais de 5 mil MW por ano - para atender a demanda projetada para os próximos anos, o foco está mesmo na Amazônia, mas a proposta ainda é incipiente, mas a aposta do governo no conceito está exatamente na possibilidade de preservação do meio ambiente.

 



mais notícias


® Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A - Eletrobras Eletronorte - SCN Quadra 06 Conj. A, Blocos B e C, Entrada Norte 1, Asa Norte - CEP 70.716-901 - Brasília/DF
Telefone (61) 3429-5151

Copyright© Eletrobras Eletronorte. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução do conteúdo deste site, desde que citada a fonte.