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Índios da região do Xingu repudiam agressão a engenheiro da Eletrobrás

30 de Maio de 2008; O Liberal (PA); matéria publicada em 29/05/08

A agressão de índios caiapós ao engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, no Encontro Xingu Vivo para Sempre, dia 20 deste mês, em Altamira, despertou o repúdio de indígenas das aldeias da região. Os índios que agrediram o engenheiro foram trazidos pelos organizadores do evento de outras regiões. Mas os que habitam aldeias próximas a Altamira, inclusive da etnia caiapó, não concordam com o ataque e temem ficar com a imagem de índios violentos, o que pode prejudicar uma relação de paz que vem sendo mantida há décadas com a população não-índia da região.

Em entrevista exclusiva a O LIBERAL, o cacique Caiapó Jair Bepe Kamró, da Aldeia Topkró, localizada a cerca de 100 quilômetros de Altamira, diz que foi ao encontro para ouvir o que o governo tinha a dizer sobre o projeto e foi surpreendido com o ato de violência. 'Nós fomos lá para ouvir, e eles fizeram aquilo, que não leva a lugar nenhum', diz, afirmando que na sua aldeia, onde vivem mais de 100 índios, todos são contrários às agressões como as praticadas contra Rezende. 'Não sabemos por que eles vieram de tão longe fazer aquilo, que prejudica a gente que está aqui na região', diz o cacique.

Kamró explica que os índios de quatro aldeias da região do Bacajá não quiseram ir ao encontro, mas que ele estava presente ao evento, com objetivo de ouvir as informações e repassá-las ao restante da tribo. 'Nós somos quatro aldeias e somos contra aquilo', reitera, acrescentando que os índios das aldeias da região estão com medo de serem tachados de violentos. 'A gente está pensando que pode manchar a imagem do índio', reclama.

O cacique diz que nunca houve qualquer caso de violência dos índios contra os não-índios na área do Xingu e muitos estão com medo de sofrer com o preconceito. 'Isso é ruim para a imagem do índio, não pega bem. O que a gente vai falar para um filho da gente? O que vamos falar nas aldeias?', questiona, destacando que os caiapós da região de Altamira são pacíficos e não querem qualquer tipo de violência, mas discutir com o governo o projeto da hidrelétrica de Belo Monte.

 

ESTUDOS

 

'A gente só tem ouvido o lado negativo, por isso fomos ao evento, para ouvir os engenheiros, para saber se eles tinham novidade', explicou Kamró, acrescentando que os indígenas estão apreensivos quando ao projeto e buscam informações. 'Queremos saber dos estudos, os resultados deles, queremos que vão à aldeia explicar para a gente', pede, acrescentando que não há qualquer risco de agressão a representantes do governo que forem às aldeias da região. 'A gente sabe receber e tratar as pessoas bem', garantiu.

A índia xipaia Maria Augusta, que vive na cidade de Altamira, diz que está revoltada com o ato de violência e teme que as pessoas pensem que os índios da cidade estejam envolvidos com a agressão. 'Acho ridículo quando se fala que os índios agrediram o engenheiro. Nós não fomos lá fazer aquela baderna', diz ela, que preside a Associação Indígena de Altamira.

A xipaia diz que os índios que agrediram Paulo Fernando Rezende não são da região de Altamira e critica a Prelazia do Xingu, que 'levou índios de outra região para fazerem baderna em Altamira.' Ela destaca que 'muitos índios foram para lá ouvir, e não agredir e brigar'. Afirmou ainda que não é contra aos indígenas se manifestarem contrariamente à hidrelétrica de Belo Monte, mas que os maiores prejudicados com a agressão são os próprios indígenas.

 

Facões

 

O cacique Kamró garantiu que os facões são usados pelos indígenas da etnia caiapó no dia-a-dia na aldeia, para a agricultura e outras tarefas, mas não fazem parte da tradição cultural dos indígenas. 'Tradição é borduna e flecha, facão não', disse o líder indígena, destacando que em rituais de guerra os instrumentos usados são a fecha e a borduna. 'O facão, eu não sei por que levaram a Altamira', disse.

A informação contradiz os organizadores do evento, que alegaram que os facões estavam com os índios porque fazem parte da cultura caiapó. O coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) de Altamira, José Cleanton Ribeiro, que pagou pelos instrumentos, disse em depoimento à Polícia Federal que só comprou os facões porque tais instrumentos fazem parte da cultura dos índios, que os usariam em seus rituais. A polícia pediu um laudo antropológico para saber se o facão faz mesmo parte da cultura indígena.

Kamró diz que os índios usam facões assim como usam telefone, carros e outras tecnologias, mas que não fazem parte da tradição cultural dos Caiapó. Ele estranha mais ainda o fato de os índios estarem na cidade com os instrumentos, pois quando saem das aldeias eles deixam os facões. 'Nós não andamos com facões nas cidades', explica, estranhando o uso dos instrumentos no evento público em Altamira.



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